Morre aos 90 Inezita Barroso, a voz da música caipira

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09/03/2015 12:03 - Atualizado em 09/03/2015 12:03

Morreu no fim da noite deste domingo a cantora Inezita Barroso, grande divulgadora da música e da arte caipiras. Inezita estava internada desde o último dia 19 de fevereiro no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde veio a falecer de insuficiência respiratória. Ela havia acabado de completar 90 anos, dia 4 de março, aniversário comemorado na manhã deste domingo em uma edição especial de seu programa, o Viola, Minha Viola, que apresentava há quase 35 anos na TV Cultura. A cantora deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos. O velório será aberto ao público, na Assembleia Legislativa de São Paulo, em horário que ainda será definido.

Paulistana da Barra Funda, onde nasceu Ignez Magdalena Aranha de Lima em 1925, Inezita cairia de amores pela música caipira já na infância, a partir das viagens à fazenda da família, no interior paulista. O aprendizado musical teve início cedo para Inezita. Aos 7 anos, ela já cantava e estudava violão. Aos 11, aprendeu a tocar piano. Já a carreira musical começou depois dos 20 anos, na década de 1950, durante um recital no Teatro Santa Isabel, no centro da capital pernambucana. A apresentação levaria Inezita a assinar contrato com a Rádio Clube do Recife. Era apenas o início de uma longa e prolífica carreira artística – que teria no programa da TV Cultura um de seus pontos mais marcantes.

Apresentadora – Inicialmente uma convidada fixa do Viola, Minha Viola, Inezita conquistou o público com seu carisma logo em suas primeiras participações. No terceiro mês de vida do programa, em agosto de 1980, ela já ocupava o posto de apresentadora. Durante suas mais de 1.500 edições, o Viola Minha, Viola se firmou como uma peça essencial na valorização e até mesmo no registro histórico da música e do folclore caipiras e da moda de viola. No palco comandado com desenvoltura por Inezita, passaram os principais nomes do sertanejo, como Tonico e Tinoco, Milionário e José Rico, Chitãozinho & Xororó, Pena Branca e Xavantinho, Almir Sater, Sergio Reis, entre muitos outros.

A grande contribuição de Inezita para a cultura brasileira à frente do Viola, Minha Viola, porém, é apenas uma faceta da trajetória de mais de 60 anos da artista. Cantora, acadêmica, atriz e apresentadora, ela dedicou sua vida à música caipira e nunca parou de produzir. Dona de um vozeirão marcante, gravou mais de 80 discos na carreira e recebeu inúmeras honrarias, incluindo o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2010, em reconhecimento à importância de sua obra. Entre seus maiores sucessos estão Moda da Pinga, Lampião de Gás e Ronda.

Como atriz, esteve principalmente em filmes dos anos 1950, vencendo o Prêmio Saci pela atuação em Mulher de Verdade (1954). Com vocação para o pioneirismo, participou da transmissão inaugural da TV Tupi, emissora na qual apresentou diversos programas. A partir de 1954 passou a se apresentar na TV Record, onde entrou como primeira cantora contratada.

Da formação em Biblioteconomia pela USP (Universidade de São Paulo), ela emprestaria as técnicas de pesquisa e catalogação que fariam dela uma grande estudiosa da música e do folclore caipiras. Inezita percorreu o interior do país por conta própria, registrando histórias e canções. Por seu trabalho, recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa.



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